Nas últimas décadas observou-se um forte crescimento da produtividade em praticamente todos os setores produtivos. Esse aumento da produtividade buscou não apenas fazer mais com menos, mas com muito mais eficiência. O exemplo mais clássico desse período possivelmente foi o grande pacto pela produtividade no Japão, que envolveu o setor público, empresários e trabalhadores.
Esse período de foco na produtividade teve determinados impactos substanciais na utilização de recursos humanos e naturais, entretanto, não foi suficiente para elevar a sustentabilidade no papel central do mundo dos negócios, muito menos, figurá-la como primordial para a sobrevivência de nossa própria condição humana.
O padrão de consumo que impregnou a nossa cultura e a maneira como boa parte dos administradores e gestores de produção estabelecem suas estratégias empresariais e definição de produtos a serem ofertados para a sociedade costuma não contemplar de maneira ampla e racional a questão da sustentabilidade. O maior exemplo é que, em Curitiba, o aterro sanitário tornou-se uma bomba com data marcada para explodir, e não levar mais do que um ano.
Ao mesmo tempo, o crescimento econômico do grupo de países emergentes denominado BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), que estão entre os mais populosos do planeta, está incluindo socialmente uma ampla gama de pessoas antes excluídas de condições mínimas de sobrevivência. Sem desconsiderar a relevância social dessa inclusão pelo acréscimo de renda, devemos atentar para o fato de que esse contingente, antes excluído, vai ter um relativo acesso ao nosso insustentável padrão e comportamento de consumo, o que vai pressionar ainda mais as condições ambientais e sociais do planeta.
Dessa forma, podemos visualizar duas dimensões da questão da sustentabilidade, uma sob a ótica do consumo responsável, que abrange não apenas o ato de adquirir e exigir produtos menos agressivos ao meio ambiente, como de comprar de empresas e países que respeitem as pessoas, os direitos a liberdade, a lei e a justiça social. Isto seria a atitude sustentável do lado da demanda. A questão do consumo responsável vem sendo tratada com muita ênfase pela sociedade civil organizada.
Porém, há outro lado, discutido com menos intensidade, mas não menos importante, em que temos as empresas que ofertam os produtos, e as universidades e o governo que preparam as pessoas e criam o ambiente favorável aos negócios. Nesse lado da oferta verifica-se que, quanto mais o consumo responsável pressionar os fabricantes maior será o desafio deles em inovar em produtos e processos para atender as novas necessidades sociais em relação a sustentabilidade. Portanto, além das crescentes exigências de qualidade e produtividade, as empresas devem ter a inovação incorporadas em seu ambiente de relacionamento.
O Global Forum busca contribuir nesse aspecto, nesse lado da oferta.
Tudo isso leva a pensar que há a necessidade de pensar o mundo, a educação e os negócios em um novo contexto. Em relação a educação, se antes nos preocupávamos em melhorar o nível do capital humano e ampliar a capacidade do capital intelectual. Atualmente, devemos incluir nessa pauta o importante desafio de estimular o capital social (o aprendizado dos benefícios da cooperação, o espírito público, o poder das redes e, principalmente, uma compreensão profunda e ampliada do que é sustentabilidade.
Dentro desse contexto, o que você acha que o Global Forum pode contribuir para novos rumos na educação e no mundo dos negócios? E nas pessoas?
sexta-feira, 13 de junho de 2008
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3 comentários:
Marcelo,
Estava para postar um novo texto quando me lembrei que você, de alguma forma, já havia tocado no assunto. O fato é que, a partir de uma rápida conversa com uma colega percebi a enorme dificuldade que é cobrar “sustentabilidade” de uma pequena empresa que luta para se manter no mercado. O conceito de sustentabilidade é abrangente, sistêmico, complexo. As ações empresariais são pontuais e, muitas vezes, os recursos escassos.
Porém, você toca num assunto que é a questão do posicionamento da empresa em relação ao mercado. O que a empresa oferta? Qual é o resultado da sua opção estratégica para atuar em mercados diferenciados? Principalmente, qual o impacto dessa oferta nos indicadores de sustentabilidade? Mudar o padrão da oferta pode ser uma saída e, com certeza, o processo de inovação é uma das soluções.
Mas a empresa sofre concorrência e deve estar atenta aos fatores de competitividade. Promover a adoção de práticas sustentáveis, apesar do seu custo, pode ser um fator competitivo. Mudar a estrutura da oferta para produtos inovadores e de alto valor agregado pode ser outra saída. Mas a coisa se complica quando o processo de competição em mercados internacionais coloca fente à frente empresas que produzem a partir de dois ambientes competitivos diferenciados, com legislações ambientais diferentes, com práticas sociais diferentes, com subsídios governamentais diferentes.
Se existe responsabilidade social empresarial, de quem é a responsabilidade de promover um ambiente competitivo que propicie a inovação e que não puna, com competição predatória, a empresa que adota práticas sustentáveis?
Se a questão da competitividade é uma questão da Economia, a criação do ambiente é uma questão da Política. Nesse sentido, consigo enxergar o papel das redes. Por outro lado, no calendário de reuniões da Rede APLs Paraná para o ano de 2008 foram agendadas 4 (quatro) participações de empresários.
Vou comentar em meu próprio espaço para comentários. Concordo com tudo que você escreveu, a criação do ambiente para os negócios é uma questão política, entretanto, estamos no último dia e não percebi, espero que não esteja sendo injusto, uma participação relevante do setor público no GFAL. Acho que o governo é reativo, reage sob pressão e, portanto, um Forum como esse é importante para que os empresários e a sociedade civil cobre uma postura adequada do governo, que é um importante agente nesse processo.
Quando coloquei a questão das exigências dos consumidores contribuindo para uma postura mais sustentável das empresas estava olhando para a dimensão mundial, daí não teria diferenças entre os países, os vencedores seriam aqueles que atendessem exigências de responsabilidade sócio - ambiental. É claro, como você colocou, que o setor público teria que fazer sua parte nesse longo, complexo e revolucionário processo.
Em tempo: as quatro participações de empresários durante o ano de 2008, nas reuniões mensais da Rede, refletem o paradoxo entre as agruras e necessidades das pequenas empresas e a cabeça do governo (e de algumas pessoas de instituições).
O 1º Workshop Conversa Sustentável será realizado no dia 9 de maio, na cidade São Paulo, e trará para um único ambiente discussões sobre sustentabilidade, gestão, tecnologias e varejo. O evento é um encontro estimulado pelos leitores e participantes do blog Conversam Sustentável, de Vivian Blaso.
“Tivemos a preocupação de escolher para este evento empresas que estão fazendo algo pelas questões da sustentabilidade, além disso, todas elas possuem casos práticos que podem servir de benchmark para qualquer empresa que deseje investir na melhoria de seus processos e seus serviços sob os aspectos de sustentabilidade.”, diz Blaso, diretora de marketing e sustentabilidade da empresa e especialista em Gestão para Sustentabilidade.
Painéis de discussão
Estruturado em duas esferas, o workshop abordará primeiro o tema Gestão e Sustentabilidade. O debate contará com a apresentação da nova ISO 26.000 de Responsabilidade Social, com Jorge Cajazeira, e do case do Portal EcoDesenvolvimento, que será apresentado por Isaac Edington, diretor-presidente do Instituto EcoD.
No outro painel, a Sustentabilidade, Tecnologias e Varejo serão os temas que guiarão as palestras sobre Redes Sociais, Repercussão e Mídia Local com a Tecnisa e o case da Loja Verde Indaiatuba, desenvolvido pelo Grupo Pão de Açúcar.
O workshop ainda contará com a apresentação de outros diferentes cases como o do Banco Real e da Nova Loja Tietê, promovido pela C&C Casa e Construção. A Obras On Line trará o debate sobre Tecnologias Aplicadas a Gestão de Negócios e o Instituto Jatobá discutirá o Desenvolvimento Sustentável e a Prática no Município de Pardinho.
“Ainda não tivemos em São Paulo um evento que reunisse tanta expertise num mesmo debate”, afirma Blaso sobre o workshop promovido pela empresa Conversa Sustentável, que terá suas emissões de CO2 neutralizadas através do plantio de árvores.
O evento é destinado a estudantes, empresários, líderes de associações profissionais, instituições e entidade de classes que desejem incorporar os temas em suas práticas de gestão.
As inscrições estão abertas e poderão ser feitas pelo site: http://www.conversasustentavel.com.br/workshop.htm
Programação
Painel 01 – Gestão e Sustentabilidade
ISO 26.000 (a confirmar)
Banco Real - Marcelo Torres - Superintendente de Desenvolvimento Sustentável
Instituto Jatobás - Luiz Alexandre - Vice Presidente
Instituto Ecodesenvolvimento - Isaac Edington - Presidente
Painel 02 – Sustentabilidade, Tecnologias e Gestão
Grupo Pão de Açúcar - Paulo Pompilio - Diretor de Relações Corporativas
C&C Casa e Construção - Evandro Luiz Lopes - Diretor Regional e Lauro Carvalho Engenheiro Civil
Tecnisa - Roberto Loureiro - Gerente de Redes Sociais
Obras On line - Wagner Dias - Diretor
Serviço:
Data:9/05/09 (sábado)
Horário: 8h30 ás 18horas
Local: Blue Tree Towers Morumbi - Convention Center
Endereço: Avenida Roque Petroni Junior, 1000
Jardim das Acácias - São Paulo - SP
Inscrições com desconto até o dia 15/04/09 R$ 300,00
Inscrições para estudantes R$ 150,00
Maiores informações
Acesse site: http://www.conversasustentavel.com.br/workshop.htm
Acesse nosso Blog: http://conversasustentavel.blogspot.com/
Emails: conversasustentavel@conversasustentavel.com.br
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