sexta-feira, 13 de junho de 2008

A hora e a vez da sustentabilidade

Nas últimas décadas observou-se um forte crescimento da produtividade em praticamente todos os setores produtivos. Esse aumento da produtividade buscou não apenas fazer mais com menos, mas com muito mais eficiência. O exemplo mais clássico desse período possivelmente foi o grande pacto pela produtividade no Japão, que envolveu o setor público, empresários e trabalhadores.
Esse período de foco na produtividade teve determinados impactos substanciais na utilização de recursos humanos e naturais, entretanto, não foi suficiente para elevar a sustentabilidade no papel central do mundo dos negócios, muito menos, figurá-la como primordial para a sobrevivência de nossa própria condição humana.
O padrão de consumo que impregnou a nossa cultura e a maneira como boa parte dos administradores e gestores de produção estabelecem suas estratégias empresariais e definição de produtos a serem ofertados para a sociedade costuma não contemplar de maneira ampla e racional a questão da sustentabilidade. O maior exemplo é que, em Curitiba, o aterro sanitário tornou-se uma bomba com data marcada para explodir, e não levar mais do que um ano.
Ao mesmo tempo, o crescimento econômico do grupo de países emergentes denominado BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), que estão entre os mais populosos do planeta, está incluindo socialmente uma ampla gama de pessoas antes excluídas de condições mínimas de sobrevivência. Sem desconsiderar a relevância social dessa inclusão pelo acréscimo de renda, devemos atentar para o fato de que esse contingente, antes excluído, vai ter um relativo acesso ao nosso insustentável padrão e comportamento de consumo, o que vai pressionar ainda mais as condições ambientais e sociais do planeta.
Dessa forma, podemos visualizar duas dimensões da questão da sustentabilidade, uma sob a ótica do consumo responsável, que abrange não apenas o ato de adquirir e exigir produtos menos agressivos ao meio ambiente, como de comprar de empresas e países que respeitem as pessoas, os direitos a liberdade, a lei e a justiça social. Isto seria a atitude sustentável do lado da demanda. A questão do consumo responsável vem sendo tratada com muita ênfase pela sociedade civil organizada.
Porém, há outro lado, discutido com menos intensidade, mas não menos importante, em que temos as empresas que ofertam os produtos, e as universidades e o governo que preparam as pessoas e criam o ambiente favorável aos negócios. Nesse lado da oferta verifica-se que, quanto mais o consumo responsável pressionar os fabricantes maior será o desafio deles em inovar em produtos e processos para atender as novas necessidades sociais em relação a sustentabilidade. Portanto, além das crescentes exigências de qualidade e produtividade, as empresas devem ter a inovação incorporadas em seu ambiente de relacionamento.
O Global Forum busca contribuir nesse aspecto, nesse lado da oferta.
Tudo isso leva a pensar que há a necessidade de pensar o mundo, a educação e os negócios em um novo contexto. Em relação a educação, se antes nos preocupávamos em melhorar o nível do capital humano e ampliar a capacidade do capital intelectual. Atualmente, devemos incluir nessa pauta o importante desafio de estimular o capital social (o aprendizado dos benefícios da cooperação, o espírito público, o poder das redes e, principalmente, uma compreensão profunda e ampliada do que é sustentabilidade.

Dentro desse contexto, o que você acha que o Global Forum pode contribuir para novos rumos na educação e no mundo dos negócios? E nas pessoas?